Dicionário

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A Águia e a Galinha - Uma metáfora da Condição Humana - Leonardo Boff

A primeira coisa que observei ao ver a capa do livro "A Águia e a Galinha" de Leonardo Boff, foi que, apesar de o nome se referir as duas aves, somente uma delas tem a sua imagem retratada na capa: a águia. Aí me veio à mente: será que existe algum motivo? Bom, eu até já tenho a resposta para esta pergunta, mas prefiro responder após a leitura completa do livro. Eu prefiro esperar para ter um pouco mais de embasamento, pois só aí terei a certeza de que o que estou pensando tem sentido, afinal de contas: "Todo ponto de vista é a vista de um ponto".

Quando comecei a ler o livro percebi que no primeiro capítulo havia algo que se conectava com a população do nordeste. Os ganeses, assim como os nordestinos, eram vistos como ignorantes, incultos e bárbaros, e foram oprimidos pelos colonizadores ingleses durante anos. Os moradores do nordeste do país, assim como os ganeses, também foram oprimidos e considerados como um povo sem cultura pelos habitantes das regiões sul e sudeste. Os ingleses se viam como cultos e inteligentes, diferentes dos africanos. Os colonizadores ingleses, julgavam os ganeses como selvagens, fazendo-os acreditarem que tinham dentro de si unicamente a "dimensão-galinha", uma dimensão limitada, estreita e sem objetivos. E assim seguiam difamado-os e subjugando-os. No entanto, o educador popular, James Aggrey, mostrou aos ganeses que eles tinham, também, dentro de si, a "dimensão-águia", e, que essa deveria se sobressair para que a autoestima do povo fosse recuperada, pois só assim poderiam viver livres e plenos. Os nordestinos também, assim como os ganeses, mostraram a sua "dimensão-águia" para os moradores do sul e sudeste nas últimas eleições, valendo do seu poder de decisão para escolher o candidato que melhor governaria o Brasil. E assim, a "dimensão-águia" dos nordestinos se sobressaiu e a "dimensão-galinha", tão aceita por nós, foi sepultada.

Percebe-se, que Leonardo Boff nos mostra que temos dentro de nós, vivendo em harmonia, duas dimensões: uma "dimensão-águia" e uma "dimensão-galinha". Entretanto, algumas pessoas possuem dentro de si, com mais força, a "dimensão-galinha". Essas pessoas vivem uma vida limitada, sem buscar novos horizontes, sem alçar novos voos, vivem sem desafios. São pessoas que se deixam subjugar por outras que se consideram melhores e mais hábeis. E assim vivem eternamente na "dimensão-galinha".
Tenho dentro de mim com muito mais força a "dimensão-águia", pois acredito que  a "dimensão-galinha" não é muito apropriado para quem quer vencer, para quem não se contenta com um espaço limitado e uma vida limitada. Quem é águia quer voar, buscar novos caminhos, se aventurar. A águia, em sua essência é diferente da galinha, pois não quer ficar olhando a vida de baixo para cima e sim, de cima para baixo. O modelo águia quer o controle da sua vida, das sua ideias, que ter ideais e objetivos, ela quer estar sempre à frente.

Apesar de termos essas duas dimensões dentro de nós, percebo que a "dimensão-galinha", por ser mais mecanicista, é por ser mais limitada só vem à tona quando estamos tristes, desesperançosos ou quando somos desacreditados por nós mesmos. Neste momento, percebe-se a "dimensão-galinha", pois estamos restritos, amarrados, presos ao solo e as nossas subjetividades. A "dimensão-águia" é sempre esperançosa, liberta e libertária, mais objetiva. Essa dimensão é alimentada por aquilo que desejamos e por aquilo em que acreditamos. Se acreditamos que somos fortes, seremos, se acreditamos que somos capazes, seremos também. Nada nos impedirá de alcançarmos a nossa meta.

Em algum momento o livro fala sobre as nossas lutas diárias, e isso me fez lembrar de como foram cansativas e estressantes algumas batalhas que vivi. A vontade de parar algumas vezes foi intensa, no entanto, ter dentro de mim esta "dimensão-águia" com mais preponderância me impulsionou a buscar novos voos, me fazendo querer sempre estar de pé, conquistando cada vez mais.
A minha "dimensão-galinha" só prepondera a minha "dimensão-águia" quando eu mesma não acredito em mim, quando eu mesma me enfraqueço. Eu acredito que ninguém tem o poder de me tornar uma prisioneira na "dimensão-galinha", eu posso controlar a minha vida, o meu destino. Eu quero a "dimensão-águia" sempre preponderante dentro de mim.
Leonardo Boff descortina essas duas dimensões de ângulos distintos. Ele utiliza-se da filosofia, da psicologia, da religião e também de alguns arquétipos, paradigmas e personagens importantes da história para fundamentar a sua ideia das duas dimensões.

Bom, agora eu posso responder a pergunta inicial: por qual motivo só a imagem da águia aparece retratada na capa do livro? A "dimensão-águia" é mais poderosa e mais imponente que a "dimensão-galinha", e mesmo que exista dentro de nós as duas dimensões, a "dimensão-galinha" não deverá estar amostra, pois esta dimensão demonstra fraqueza, limitação. Ela pode até existir, mas só nós podemos vê-la dentro de nós. É importante não deixarmos que nos impunham a "dimensão-galinha", pois se deixarmos, nos tornaremos reféns daqueles que querem nos subjugar, nos condenar a uma vida mecânica e sem escolhas. Assim como uma águia, devemos olhar o mundo de cima para baixo, não com arrogância, mas com respeito. Não devemos ter medo de alçarmos voos bem altos e de querermos voar mais e mais na busca pelos nossos ideais de vida. Essa foi a lição que tirei do livro "A águia e a Galinha".

  




sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Minha Mãe é uma Peça


Um besteirol de qualidade. Um filme hilariante e descontraído. Dando os devidos descontos à sofrível interpretação dos filhos da "Dona Hermínia", no geral é gargalhada na certa. Paulo Gustavo foi o centro das atenções e não abriu mão disso, ainda bem, pois ele é ótimo. Quem curte a personagem Dona Ermínia, no 220 Volts, vai adorar. O filme na verdade, é uma homenagem às mães e, principalmente, a mãe dele, que deve ser uma "figuraça". Vá com vontade!


Se Beber não Case - Parte II


Nada de novo! A única diferença é que a bebedeira fica pro final do filme. Sim, dá pra rir muito com o Chow (o coreano), pois ele apronta bastante, como sempre. Mas, no geral, no geral não vá com tanta sede ao pote.


Invocação do Mal


Aterrorizante, assustador! Perfeito para quem gosta de filmes de terror. Este filme supera "O exorcista" sem sombra de dúvidas!



Por detrás do Candelabro - Behind the Candelabra (Liberace)


O filme "Liberace" mostra Matt Damon e Michael Douglas, como você nunca viu. Um filme sobre um homem rico, excêntrico e com "mania" de colecionar rapazes. Esse era o Liberace, uma pessoa carinhosa e extremamente cativante que conquistava os seus amores de uma maneira tão doce e de forma fria e calculista mandava-os embora da sua vida. Uma triste história de amor, poder, riqueza e...bom, assistam na HBO.



Precisamos Falar Sobre o Kevin


Um filme enigmático, intrigante, instigante. Quando uma mãe não se conecta com o seu filho desde os primeiros meses de nascimento o que fazer? A semelhança entre os atores desde bebezinho até a fase adolescente é incrível. Quantos "Kevin´s" existem por aí e quantas vidas são destruídas por pessoas com este tipo de personalidade? O final não surpreende. A atriz Tilda Swinton está, como sempre, impagável. Assistam, viu


Marabô - Carlinhos Brown

Carlinhos Brown em Marabô - novo trabalho desse artista baiano - se supera no romantismo e nas homenagens. Diferentemente de “Alfagamabetizado”, o artista nos brinda com o amor na sua melhor expressão: o amor calmo, romântico, nostálgico e puro, como deve ser o amor, sem neuras. As músicas “Vc, o amor e eu”, “Vou dizer sim”, “Amouro” “Encontrei” são, a meu ver, ícones que exaltam o que amar tem de bom.
Já as homenagens, essas são feitas a figuras icônicas da Bahia como Dona Canô e os Filhos de Gandhi. Carlinhos nos encanta brincando com verbos e substantivos - o que é a sua marca registrada. "Haverão-verão-verão verões, Haverão-verão-verão verão nós". Com sua voz melódica e a parceria de artistas como Luiz Caldas e Quésia Luz, que o ajudam a dar um tom lírico a duas de suas composições, sem ser chato ou meloso demais, Carlinhos se torna perfeito ao falar de um amor gostoso, aquele que sentimos saudade e que valeria a pena “ter” de novo. 
Não me canso em falar de “Vc, o amor e eu” (assim mesmo que está escrito), pois acredito que é uma ode a saudade de alguém que nos fez bem. Um pandeiro tocando no inicio juntamente com o lamento de vozes que choram a distância do amor, dão o tom: "uma saudade de nós, bateu - e o colchão desabou, sem tempo - o coração disparou, por dentro - parei no seu movimento... pra que a gente ficar de mau se dói, se dói, - se é amor verdadeiro tem chance...obrigada por você me amar”.

A musicalidade desta canção nos convida a dançar ou ficar quietinha com vontade de amar de novo ou continuar amando. Então, dispa-se do preconceito, ajeite-se no sofá com um bom vinho ou uma cerveja gelada e deixe a melodia caribenha, romântica e baiana deste artista te inundar de calmaria. Eu curti!
Carlinhos Brown é um dos artistas mais completos da Bahia.



sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Sobrenatural 2 (Insidius)


Quem assistiu ao primeiro filme "Sobrenatural" (Insidious), com toda a certeza se decepcionou com essa continuação. Diferente do primeiro filme as atuações são sofríveis, o roteiro é confuso, tentam conectar um filme ao outro, mas erram em quase tudo. Cenas de terror, que de terror não têm nada, nos passam a sensação de que foi tudo feito às pressas. O primeiro filme foi muito assustador e não consegui assisti sozinha, já esta continuação me deu sono. Ainda bem que não gastei meu dinheiro no cinema. Nota zero.


Praia Do Futuro

Intenso, sensual, atraente, instigante. Praia do Futuro é mais um filme do excelente diretor Karim Aïnouz. Dispa-se do preconceito e vá de mente aberta. Conheça a vida de um homem comum - mas nem tanto - e seus medos, receios, encontros e desencontros e suas escolhas. É um filme poderoso em que Wagner Moura se despe até a alma. E para não perder a viagem, outra pérola do Karim - O Céu de Suely. Assista com carinho!


Azul é a Cor mais Quente - La Vie D´Adele


Emocionante, ousado, sensualsexual, triste, apaixonante, luxurioso, pornográfico. Azul é a Cor mais Quente (La Vie D´Adele), é um filme para se ver sozinho ou com o seu "affair". Uma jovem, uma dúvida, uma descoberta, uma vontade e suas realizações. Uma verdadeira aula sobre a paixão o amor e o sexo, esse trio indissociável da nossa existência. “Em primeira instância, o homem existe, encontra a si mesmo, surge no mundo e só posteriormente se define.” Jean-Paul Sartre. Valeu e muito!